Encontro marca o fim da presidência brasileira do bloco e reforça comércio, integração regional e temas estratégicos para a América do Sul
Foto: Diego Campos/Secom-PR
Foz do Iguaçu será o centro da diplomacia sul-americana no próximo sábado (20) com a realização da LXVII Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do encontro, que encerra oficialmente a presidência pro tempore do Brasil no bloco econômico.
A escolha de Foz do Iguaçu como sede reforça o papel estratégico da cidade na integração regional. Localizada na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, o município é símbolo da cooperação econômica, política e social entre os países do Mercosul.
Durante a presidência brasileira, o foco esteve no fortalecimento do comércio intrabloco e na ampliação da coesão entre os países-membros. Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, o comércio regional tem alto valor agregado e impacto direto na geração de emprego e renda. Atualmente, cerca de 75% das trocas comerciais dentro do bloco envolvem produtos industrializados.
Entre as prioridades defendidas pelo Brasil estiveram a inclusão dos setores automotivo e açucareiro, considerados estratégicos para a economia nacional, além da modernização da agenda do Mercosul diante de desafios como transição energética, desenvolvimento tecnológico e combate ao crime organizado transnacional.
A presidência brasileira foi estruturada em cinco eixos principais. Fortalecimento do comércio regional e com parceiros externos, enfrentamento das mudanças climáticas, estímulo à inovação tecnológica, combate ao crime organizado e promoção dos direitos dos cidadãos do Mercosul.
Outro destaque foi o debate sobre a renovação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, o FOCEM. Desde sua criação, o fundo já financiou mais de 60 projetos estruturantes nos países do bloco, com investimentos próximos de US$ 1 bilhão. O Brasil, principal contribuinte, defende a manutenção do volume de recursos e a inclusão da Bolívia no novo ciclo.
A agenda brasileira também trouxe iniciativas inéditas, como o primeiro Fórum Empresarial Agrícola do Mercosul e o lançamento do Mercosul Verde, voltado à promoção de práticas agropecuárias sustentáveis e à projeção internacional da agricultura da região. Outro avanço foi a criação de um grupo específico para estimular a participação de micro, pequenas e médias empresas no comércio regional, com atenção especial a negócios liderados por mulheres.
Na dimensão social, o Brasil reforçou a importância dos direitos dos cidadãos dentro do processo de integração, apoiou a incorporação normativa da Bolívia como Estado-parte e trabalhou para revitalizar institutos ligados a direitos humanos e políticas sociais, além de avançar na organização da Cúpula Social do Mercosul.
Com a cúpula em Foz do Iguaçu, a cidade volta a ganhar projeção internacional e se consolida como palco estratégico das decisões que moldam o futuro da integração sul-americana.
Fonte: Portal da Cidade